Inspirados no famoso vampiro de Curitiba, o escritor Dalton Trevisan, os alunos do 2/2015 elaboraram mini contos juntamente com as colagens que os ilustram. Aqui estão fotos do momento de socialização das produções e, também, algumas que permitem a leitura dos contos.
"A poesia resiste à falsa ordem, que é, a rigor, barbárie e caos,'esta coleção de objetos de não-amor' (Drummond).Resiste ao contínuo 'harmonioso' pelo contínuo gritante;resiste ao descontínuo gritante pelo contínuo harmonioso.Resiste aferrando-se à memória viva do passado; e resiste imaginando uma nova ordem que se recorta no horizonte da utopia." (Bosi)
sábado, 3 de outubro de 2015
Memórias da Tertúlia Literária - Águas do mundo de Clarice Lispector
Durante esse semestre estamos focando nos texto de Clarice. Na aula do dia 22/09 a professora selecionou este conto do livro Felicidade Clandestina, o nos trouxe esta bela memória.
"Eu penso que às vezes a
gente pensa que está perdida e fica buscando respostas fora de si, mas a
resposta está dentro.
Eu vejo uma pessoa diante de
algo que não conhece, mas experimenta e fica mais forte.
Muitas vezes quando a pessoa
se define ela se limita muito. Quando
você coloca uma característica parece que ela deixa de viver. Ela viu e vê que
está em construção.
Pensei em mim, quando passamos
a nos conhecer um pouquinho mais a gente não aceita manipulação. A gente passa
a criar a nossa própria história.
Primeiro é preciso se
autoconhecer para conhecer o externo. Tem que se conhecer para enfrentar o
mundo.
O cão cruza a rua e não está
nem ai. O ser humano está sempre perguntando. O cão é livre.
Eu gosto do mar, a
imensidão. Eu tão pequenina e na frente o mar imenso. Ela olhou o mar com
aquela incapacidade diante da imensidão. A gente tem que olhar para dentro que
é o mar, a imensidão.
Tem que se perguntar? Se não
se conhece não vai dar a cara para bater. Tem que enfrentar as dificuldades.
Existe uma dialética no mar: leveza e voracidade. Tanto paz como fúria pelo
exterior, forçando ela a refletir. Nós percebemos as mudanças a mercê das
transformações.
Quando a gente não conhece
as pessoas, a gente se desentende. No whatsApp teve uma prima minha defendendo
a ditadura, defendendo o regime rígido. O fator d não conhecer faz a gente
fazer essas barbaridades.
Exiguidade faz lembrar essência.
O ser humano se conforma com o que ele é. Há falta de coragem de se conhecer,
de ir além. Na comparação da mulher com o mar eu me vi. E ao mesmo tempo força
e leveza.
Eu gostei do titulo: “As
águas do mundo”, me lembra sempre que ia na praia, eu ficava observando o mar.
A água podia estar em outro lugar ajudando outra pessoa. Praia é diversão. O
primeiro mergulho é choque, você sente feio, mas quando sai do mar sente o
mesmo frio.
É a dinamicidade, uma
dualidade. Uma coisa na outra. O ser humano precisa ficar sozinho. Ele não
pensa quando está junto. Tem que refletir sobre sua essência humana.
Muitas vezes a gente está
tão atarefado que esquece do nosso próprio ser.
Parado no mar é tudo que eu
penso e tudo que eu quero. De frente para o mar eu posso ouvi-lo. Saio bem
melhor do que quando cheguei.
Eu lembrei que quem bebe a
água do mar fica louca. O ritual dela beber água do mar. Eu tive essa coisa de
beber água do mar. Ela viu a vida.
Tudo se completa.
As vezes a gente está indo
para a batalha e tem muito medo, mas vai. Equando a gente enfrenta vê que não é
difícil. Encontrou a força no momento que passou pelo problema. Você nem sabia
que existia. Você quer, mas não faz. Tem medo de se jogar. Igual aquela música:
“tente mais uma vez”.
Eu acho que quando ela bebeu
se integrou de vez, é o que a gente faz. A gente tem medo da onda, mas quando
estamos no mar nos sentimos feliz. O que aconteceu antes e depois. A gente tem
medo de morrer no mar. Existir é um perigo, é um perigo não ter deixado nada,
não ter contribuído. Às vezes a gente tem tanto medo que para.
Feminino e masculino é o que
forma a vida. A planta precisa da sinergia solar e lunar. Tudo é complementar.
Dentro de nós temos o masculino e o feminino, o terceiro olho é o encontro do
lado esquerdo e do direito do cérebro, que é o masculino e o feminino em nós.
Quando estamos muito
femininas ou masculinas, tudo dá errado. Não existe vida sem polaridade.
O masculino é ação. O feminino
é recepção.
Se estamos muito ativas e
não sentimos, vai dar problemas
Se estamos recebendo e não
fazemos nada, vai dar problemas.
O dar e o receber tem que
estar na mesma medida.
A terra e a mulher
fertilizam, por isso o lado feminino cuida e o masculino protege.
Sol e lua, externo e
interno, ação e recepção.
O conto da Clarice fala
sobre a essência humana. Feminino sombra, masculino luz.
O feminino gera, o homem só
se reconhece como pai com a relação externa com o filho. A conexão com a mãe é deste o útero.
Preste atenção: “Eu estou
muito emocional”, está faltando o mental. E se estiver muito racional está
faltando o emocional.
Os opostos de atraem, mas
não ficam juntos por que estão em desequilíbrio. A união tem que acontecer
dentro, para depois acontecer fora. O masculino e feminino integrado."
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