O link para a leitura do conto: http://www.releituras.com/clispector_amor.asp
"É o que eu sinto todo dia.
Eu gosto de andar de ônibus,
tenho tempo para pensar. Ouço música, tenho respostas da minha vida neste
momento.
Eu sempre me senti muito insegura
em relação ás opiniões dos outros. Nunca me firmava. Comecei a me descobrir e
me conhecer agora. O que eu quero, sobre minhas necessidades.
Quando ninguém mais precisava
dela, ela se sentia inteira. Quando ela era ela mesma.
Eu senti por um momento que
quando descubro alguma coisa muito forte, sinto necessidade de por pra fora.
Quando se descobre a raiz é sufocante. A realidade incomoda.
Eu tenho mania de olhar as
pessoas no dia-a-dia. Elas não têm noção que eu as observo. Quando as observo,
acabo me observando mais ainda do que a própria presença. Penso mais em mim do
que estou vendo.
Eu me coloquei no lugar, nunca
consegui matar uma formiga, uma barata. Aquela barata não pode ficar aqui, eu a
viro. Até peço pra alguém tirar, talvez seja algo que eu tenho que superar.
Sonhei que o botijão tinha
explodido, eu morro de medo de botijão de gás. Tenho medo de ele explodir e
acabar com tudo lá em casa, é um medo horroroso.
Eu me identifiquei com os filhos
dela. Os momentos que tenho livre, eu procuro que seja significativo para mim.
Como se as pessoas achassem chato a gente querer um tempo mais significativo.
A minha mãe corria atrás de mim,
eu era malcriada.
Eu me vejo nesta fase, meus
filhos adolescentes para rapazezinhos. Eles não querem mais o aconchego de mãe.
Às vezes a gente falando não tem tanto sentido, mas sempre tem aquela versão:
quando alguma pessoa de fora fala parece que sabe mais do que os pais.
Fez-me lembrar do
superficial. Quando a gente tem um
relacionamento, não somos verdadeiros. O que é um relacionamento verdadeiro?
Sou feminista.
São dois lugares distintos, às
vezes acontecem coisas belas, mas quando vem à tristeza a gente tem medo. A
feiura são os problemas, às vezes os seres humanos são podres.
As pessoas tem deficiência e a
sociedade acaba menosprezando estas pessoas. A Frieza, elas eram fortes e
frias. Aquelas pessoas também têm os mesmo sentimentos que elas. Tem a
reportagem da síndrome de Down que mostra que não muda nada, somos iguais.
Minha relação com a minha mãe me sufocava, eu
saí de casa. Deixar-me viver por mim mesma!
Minha mãe fazia isso. Cuidava das
contas, dos filhos, comida pronta. A gente era criança e ela fazia tudo.
A mãe é que dá essa corrente de
vida na família. É sempre a mãe.
A gente tem os mesmo problemas,
mas a gente tem que enfrentar. Tem que se encarar.
Ele trata de dois momentos da
vida. Uma grande metáfora. Muito rico. Anotei coisas que nunca tinha visto. A
mão e a mulher sagradas no lar é um processo inconsciente, a maioria das mães
sofrem da síndrome do ninho vazio. Aureolada é uma ironia, ninguém é uma santa.
Ana sai parar comprar coisas para o jantar e encontra o ego que mascava
chicles. Entre ela e o cego está à família. O cego representa tudo o que não
vemos. Em que mundo você está, não existe a vida sem o sujo. Olha o cego
profundamente, como se olhasse para a própria vida. Eu me vejo quando vejo os
outros. Primeira vez que olha no espelho, mas que ela vê não a vê. Ela já vivia
um mal estar, essa epifania a fez acordar. O ovo representa a vida, a vida
escorrendo pelas mãos. Quem eu sou? As gemas escorrem pelas mãos. Em cada
pessoa existe a falta de conexão conosco mesmo, nos ligamos em papeis: amiga,
irmã, mãe. Mas, e você?
Ela se assustou! Por que as
pessoas não olham para o cego? As pessoas não olham para si mesmas. Tudo estava
claro para ela, tudo estava no seu lugar. Quando percebeu que não era isso que
queria ver, as coisas ficaram obscuras.
O Jardim Botânico é a explosão de
vida! Tudo era tão lindo que sentiu nojo. Era tudo tão maravilhoso que
rejeitava. A psique não conseguia aceitar. Nojo da vida pulsando no seu lado
obscuro.
Ser dona de casa não é ruim, mas
ela estava nesse papel. Não é disso que se trata.
Quando não nos enxergamos,
ficamos na área de conforto, com medo de sair. A relação com sigo mesma, fora
do papel, a estava chamando. Oh! Ela
amava esse papel, mas era uma ironia, não iria a uma igreja, fazer uma intenção
profunda enquanto cumpre um papel.
Foi mais uma vez cumprir seu
papel, preparou o jantar, enquanto tudo estava em seu lugar. Jogando as coisas
para debaixo do tapete.
Algo tranquilo se arrebentou. Ela
voltou ressignificada, ela viu com humor feliz e triste.
Ela não faz tudo sozinha. Ele a
leva. O Homem é da ação, a mulher recebe. Sair da família é perigoso, ela não
aguentaria. O marido a calma, mas ela já viu como era o perigo. Ninguém
consegue ser só um dos lados."
Nossa fala sempre cheia de poesia! Momento de total compartilhamento. Experiência linda.
ResponderExcluirQue memória linda. Parabéns pelo resultado do compartilhamento de todos!
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