Aproveitem.
CIDADE GRANDE
Viver na cidade grande está
cada vez mais complicado. Digo em relação a muita coisa. Aonde você vai é
aquele monte de gente. Quando estou indo ao serviço e desço na estação Galeria,
já imagino o que vou encontrar pela frente , quando for passar pelas quadras .
Isso porque por onde tento passar sempre topo com alguém. É gente demais da
conta!
Quando trabalhava na W3 Norte,
sempre descia para a Rodoviária com duas amigas, que sempre falavam que a
estação do metrô parecia a visão do inferno! Com toda razão, pois é gente que
não acaba mais. Em horários de pico, então, nem se fala! Esses são os horários
em que o metrô parece mais uma sardinha
enlatada. Dizem que o metrô do Japão é bem pior. Em horário de pico , os
guardas de luva branca empurram as pessoas para entrarem. Muito engraçado isso!
Pelo menos os Japoneses sabem desenvolver grandes ideias. Aqui, nem isso tem.
E a China com seus quase 2
bilhões de habitantes ? Tem que ser um
país muito bem organizado para manter tanta gente assim. A minha amiga Lilian viveu
em São Paulo e me contava tudo sobre lá. Ela me falava que na hora de
atravessar a faixa de qualquer avenida lá vinha aquela multidão de gente.
Apesar de tudo fico
imaginando se no mundo tivesse pouca gente. Aí a coisa complicava. Será que
complicava? De repente não. Mas em compensação ia ser um silêncio. Acho que ia
ser triste e vazio. Acho melhor nem pensar.
Fabiana De Oliveira Gadelha
O mar
O
mar significa vida, amor, com as suas águas cristalinas e transparentes. Mar, me mata
a sede. Mar, tira essa fúria de dentro mim. Mar, de onda que vai e vem. Águas de
mar, de imensidão.
Mar
infinito. Mar de belas ondas.
Águas
que me acalmam. Mar que traz paz.
Mar: vida, ternura, alegria e solidão.
Michelley Souza
BARAKA E O WHATSAPP
Assistindo ao filme “Baraka”, em
sala aula, vi uma cena de alguns homens, em uma espécie de ritual religioso,
suponho eu, rodeados de árvores e muito verde, faziam os mesmos movimentos
repetindo os sons, obedecendo a um outro homem que indicava quais movimentos
seguir e sons emitir. Parecia um balé. Fiquei impressionada com aquela cena em
que ora eles se movimentavam e ora deslizavam como se fossem dominós, caindo
lentamente sobre as pernas dobradas do outro que estava atrás.
Então, pensei: será que o homem
das grandes cidades, cheias de atividades para fazer, e que enfrentam a rotina do
dia a dia, teriam disponibilidade, ou mesmo, se prestariam a participar de um
ritual como o do filme. Digo homens, porque na cena só tinha homens.
Parar tudo, se desprender do
celular, tablet e por sua vez do “What”s Up”, internet, facebook, o que
ultimamente tem sido difícil acontecer. É como se as pessoas dependessem desses
aplicativos e aparelhos para viver. Tudo é decidido não mais com diálogo. Ou
você se conecta ou então ficará fora dos grupos e ainda é criticado quando diz
que não está inserido em uma rede social. Hoje em dia não se diz mais: Olá tudo
bem? Mas sim: Você tem WhatsApp? ou Facebook?
Creio ser quase impossível ver
estes homens parados realizando exercícios e emitindo sons de forma tão calma e
ao mesmo tempo silenciosa. Tomara eu esteja enganada.
Digo isso, porque outro dia me surpreendi,
passando em frente a uma academia em que uma pessoa, um rapaz estava na
bicicleta e ao mesmo tempo olhando o celular. Vendo essas atitudes, percebo que
fazer atividades saudáveis tem que ser dividido com o celular. A vida tem que
ser dividida com celular.
Com isso, fiquei imaginando se
pudesse reunir um grupo de rapazes de uma grande cidade para realizar aquele
ritual e claro, deveriam deixar os aparelhos em casa e permanecerem em uma ilha
para esta cerimonia. Não daria certo, pois eles tentariam burlar de alguma
forma a regra só para estarem com os aparelhos na mão ou fone de ouvido e
assim, a atividade não teria o mesmo sentido. No filme aquele momento vivido
pelos “asiáticos” é de concentração e de harmonia, devido ao ambiente
escolhido. É como se quisessem entrar em sintonia com a natureza em volta e
ligar corpo, mente e natureza num gesto só, num “grito” só.
Já com o homem de nossas cidades
grandes o que conseguiriam era ouvir o famoso som do WhatApp, avisando que tem
mensagem.
Isso é lamentável, perceber que
poucas são as pessoas que se desprendem e se recusam a serem escravizadas por
estes aparelhos.
Aí, você pergunta: Você não usa
celular? E eu respondo: Sim, é bom ter esse aparelho, às vezes pode nos tirar
de situações complicadas, mas não pode ser o determinante de viver. Acredito
que foi criado para facilitar a comunicação entre as pessoas, mas não é o que
acontece. Está tornando as pessoas mais isoladas, eliminando o diálogo nas
famílias, nas rodas de amigos. Quem nunca viu uma mesa de restaurante em que
todos estavam sentados, aguardando o garçom trazer o pedido com o celular na
mão, teclando. Eu já presenciei e deduzi que nunca mais o mundo foi o mesmo
depois do WhatApp.
Flávia Rocha
A observação do profundo
São
10h00min da manhã, não dormir nada bem esta noite, por isso estava sentimento
meu corpo, mole e devagar. Na sala de aula percebi que não estava em bom dia.
Mas tudo passou quando começou a trilha sonora do filme Baraka, eu senti a mesma paz de quando estou em meio à natureza.
Que incrível!
Comecei
assim, a observar as lindas e profundas imagens apresentadas. Flutuar foi só
uma das muitas sensações.
Teve
um momento em que acabei pegando no sono, uma tragédia porque devo ter perdido
uns 10 minutos de magia, mas acabei despertando com o barulho da coisa mais
perfeita, a das cataratas – queda d’água. A imagem me envolveu me veio uma
relação da natureza e o ser humano como se eu estivesse ali, sobrevoando uma
imensidão de paz e profundidade presente em mim.
É
tão contraditório ver algo que te remete tranquilidade e ouvir turbilhões. É
como um intertexto, como se sempre houvesse algo por trás de tudo o que é
considerado bom.
Sobre o que eu estava sentindo antes,
não me lembro mais. Só sei que quando eu precisar pensar e fluir de forma
profunda vou procurar pelo filme e colocar na parte das cataratas.
Lorena Braga de Siqueira
Anéis de crescimento
Em umas das
aulas da componente Estudos Literários,
tive a oportunidade de assistir o documentário Baraka, do diretor Ron Fricke. Esse documentário é o resultado de
11 anos de filmagens de vários lugares do mundo. Umas das cenas que mais me
chamou atenção foi a imagem de uma floresta e logo em seguida a imagem de uma
das árvores sendo cortada com uma motosserra e caindo lentamente.
Desde que descobri que a idade das
árvores podem ser calculada pelos seus anéis de crescimento e que quanto mais
largas são as árvores, mais velhas elas são, me pego olhando para elas e
tentando adivinhar quantos anos cada uma delas tem e, consequentemente,
pensando em tudo que elas já viveram. Ventos, chuvas, brisas, tempestades,
concreto nas raízes, as raízes destruindo o concreto com toda sua força,
pessoas gravando corações em sua casca... E elas ali, resistindo a tudo, sempre
nos dando alimento, flores, sombra e oxigênio, sem pedir nada em troca.
Definitivamente, o amor e a sabedoria do mundo estão nas árvores.
As árvores são fáceis de achar, já
que ficam plantas no chão; são maiores que as pessoas, mas ocupam menos espaço;
assim canta lindamente Arnaldo Antunes na música As árvores, e sempre que a
ouço, uma pergunta fica reverberando na minha cabeça: “Quando as pessoas vão
realmente enxergar as árvores com seu merecido respeito, gratidão e amor?”
Me
assusta ver imagens de pessoas cortando árvores com suas motosserras
barulhentas, sem nenhum tipo de sentimento ou remorso, acho que é porque me dou
conta de quanto o ser humano é limitado e sem consciência. Árvore da vida.
Árvore dá vida.
Jasciany Nobre
Na
aula de literatura a professora passou um vídeo contendo várias imagens; com um
fundo musical diversificado. Essas imagens me chamaram bastante atenção por
vários aspectos ligados á sociedade e sua diversidade cultural.
Pude
constatar o quanto somos seres complexos e vulneráveis também. Nas imagens há
situações da vida cotidiana da cidade grande, cheia de carro e pessoas
atravessando faixas de pedestre de um lado para o outro, pessoas trabalhando
nas fábricas em funções repetitivas e aceleradas. Em contraponto imagens de
pessoas, buscando refúgio em suas práticas religiosas e crenças com intuito de
aliviar o desgaste, o estresse das famosas doenças psicossomáticas. Vimos
também imagens de fenômenos da natureza como vulcões, tempestades, ressaca do
mar, se formos comparar todos esses fenômenos com o nosso
inconsciente/emocional é bem parecido principalmente quando sonhamos e nesse
sonho “viajamos” para lugares antes nunca visitados.
Tive
um sonho numa dessas noites e nele eu estava indo tomar banho, entrando numa
casa velha com janelas quebradas, portas enferrujadas e móveis amassados e
sujos, imundos! Quando acordei fiquei refletindo sobre o sonho e tive a sensação
de um desejo de estar buscando algo no passado que quisesse reviver, algo bom e
alegre. Talvez quisesse retornar á infância onde à única preocupação que eu
tinha, era brincar e fazer os deveres da escola. A pressão que sofremos hoje em
dia é muito grande! Se não tivermos produzindo mais e mais não somos
valorizados e corremos o risco de surtar...
Enlouquecer de vez, bater com a cabeça na
parede... Daí vem á mente a imagem do filme: o homem oriental com olhos
vermelhos e pele esbranquiçada agonizando e se tremendo como se fosse
enlouquecer em breve...
Nossa
casa interior é bem complexa e carregada de significados, somos extensão do
mundo e de seus elementos: ar, água, fogo e terra... Movemo-nos sobre o planeta
terra prestes a um colapso total.
Cláudia Helena da Silva
O HOMEM E A NATUREZA
Há
um provérbio Maia que fala que os animais, com a pureza do coração, ensinaram
as suas melhores habilidades ao homem, para torna-lo feliz. A coruja, por sua
vez, imbuída de sua sapiência, preocupou-se profundamente, pois percebeu que o
homem ficara sabendo muito, talvez até
demais. Preocupou-se a coruja, com o fato de que o homem sabia tanto e tanto e
tanto e....que apesar de saber muito, percebia que ainda não estava feliz, não
completamente.
Pobre
Dona Coruja! Tão sábia e correta quanto aos seus temores! Esse homem prossegue
na eterna busca, dotado de uma
inteligência duvidosa. Não que o que lhe foi ensinado pelos animais tivesse
pouco valor, mas de que adianta possuir conhecimentos valiosos e não ser capaz
de utilizá-los com sabedoria?
Eis
que a natureza presenteia a humanidade, oferecendo-lhe toda a exuberância do
que é belo, do que é bom. Ofereceu tudo que gera a vida: a água, a terra e o ar.
Tudo que é necessário para fazer o homem feliz e viver com qualidade! Mas o
homem, com seu eterno vazio, a agride, invade-lhe o coração e a destrói, numa
velocidade inerente ao desrespeito que tem pela própria vida, pela vida do
outro. Ao mesmo tempo que a natureza nos oferece o belo e o essencial e nos dá
a oportunidade de ouvir os sons do silêncio, o silêncio que os olhos enxergam,
o homem segue evoluindo e criando... e destruindo as possibilidades de existência
com as guerras, com as atrocidades.
A
natureza é forte! Mas é também frágil e na dualidade de força e fragilidade
clama a morte dos seus filhos, imposta pelo homem. E nesta guerra em que os
humanos se repetem como num formigueiro, em que pessoas comandam a máquina (ou
a máquina é que comanda o homem?), a mesma natureza, que é mãe, impõe o castigo
através da dor, do medo, da fome, da
busca pela sobrevivência, da miséria do corpo.
Espalhados
pelo planeta, somos diferentes e vivemos vidas diferentes. Mas a verdade maior
é que, onde quer que estejamos, somos diferentes e somos iguais: homens com
inteligência duvidosa!
Fiquei muito feliz com o resultado final da produção da minha crônica. O vídeo foi inspirador, e tem o poder de trazer sensações de paz e inspiração.
ResponderExcluirGostei bastante da crônica da Flávia e da Jasci!
Agradecida Lore! Foi bem difícil escolher uma cena para escrever a crônica, porque dá vontade de escrever sobre várias. Muito lindas as crônica de todos, uma mais linda que a outra.
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