segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Crônicas

Após estudarem a teoria da crônica, os alunos produziram seus próprios textos. Inspirados no documentário Baraka, que traz vários aspectos culturais de diferentes civilizações. Aqui estão algumas produções.
Aproveitem.
 Documentário Baraka - assista online




CIDADE GRANDE


Viver na cidade grande está cada vez mais complicado. Digo em relação a muita coisa. Aonde você vai é aquele monte de gente. Quando estou indo ao serviço e desço na estação Galeria, já imagino o que vou encontrar pela frente , quando for passar pelas quadras . Isso porque por onde tento passar sempre topo com alguém. É gente demais da conta!
Quando trabalhava na W3 Norte, sempre descia para a Rodoviária com duas amigas, que sempre falavam que a estação do metrô parecia a visão do inferno! Com toda razão, pois é gente que não acaba mais. Em horários de pico, então, nem se fala! Esses são os horários em que o  metrô parece mais uma sardinha enlatada. Dizem que o metrô do Japão é bem pior. Em horário de pico , os guardas de luva branca empurram as pessoas para entrarem. Muito engraçado isso! Pelo menos os Japoneses sabem desenvolver grandes ideias. Aqui, nem isso tem.

E a China com seus quase 2 bilhões de habitantes ?  Tem que ser um país muito bem organizado para manter tanta gente assim. A minha amiga Lilian viveu em São Paulo e me contava tudo sobre lá. Ela me falava que na hora de atravessar a faixa de qualquer avenida lá vinha aquela multidão de gente.
Apesar de tudo fico imaginando se no mundo tivesse pouca gente. Aí a coisa complicava. Será que complicava? De repente não. Mas em compensação ia ser um silêncio. Acho que ia ser triste e vazio. Acho melhor nem pensar.

Fabiana De Oliveira Gadelha



O mar




O mar significa vida, amor, com as suas águas cristalinas e transparentes. Mar, me mata a sede. Mar, tira essa fúria de dentro mim. Mar, de onda que vai e vem. Águas de mar, de imensidão.

Mar infinito. Mar de belas ondas.

Águas que me acalmam. Mar que traz paz.

Mar: vida, ternura, alegria e solidão. 
Michelley Souza



BARAKA E O WHATSAPP




Assistindo ao filme “Baraka”, em sala aula, vi uma cena de alguns homens, em uma espécie de ritual religioso, suponho eu, rodeados de árvores e muito verde, faziam os mesmos movimentos repetindo os sons, obedecendo a um outro homem que indicava quais movimentos seguir e sons emitir. Parecia um balé. Fiquei impressionada com aquela cena em que ora eles se movimentavam e ora deslizavam como se fossem dominós, caindo lentamente sobre as pernas dobradas do outro que estava atrás.

Então, pensei: será que o homem das grandes cidades, cheias de atividades para fazer, e que enfrentam a rotina do dia a dia, teriam disponibilidade, ou mesmo, se prestariam a participar de um ritual como o do filme. Digo homens, porque na cena só tinha homens.

Parar tudo, se desprender do celular, tablet e por sua vez do “What”s Up”, internet, facebook, o que ultimamente tem sido difícil acontecer. É como se as pessoas dependessem desses aplicativos e aparelhos para viver. Tudo é decidido não mais com diálogo. Ou você se conecta ou então ficará fora dos grupos e ainda é criticado quando diz que não está inserido em uma rede social. Hoje em dia não se diz mais: Olá tudo bem? Mas sim: Você tem WhatsApp? ou Facebook?

Creio ser quase impossível ver estes homens parados realizando exercícios e emitindo sons de forma tão calma e ao mesmo tempo silenciosa. Tomara eu esteja enganada.

Digo isso, porque outro dia me surpreendi, passando em frente a uma academia em que uma pessoa, um rapaz estava na bicicleta e ao mesmo tempo olhando o celular. Vendo essas atitudes, percebo que fazer atividades saudáveis tem que ser dividido com o celular. A vida tem que ser dividida com celular.

Com isso, fiquei imaginando se pudesse reunir um grupo de rapazes de uma grande cidade para realizar aquele ritual e claro, deveriam deixar os aparelhos em casa e permanecerem em uma ilha para esta cerimonia. Não daria certo, pois eles tentariam burlar de alguma forma a regra só para estarem com os aparelhos na mão ou fone de ouvido e assim, a atividade não teria o mesmo sentido. No filme aquele momento vivido pelos “asiáticos” é de concentração e de harmonia, devido ao ambiente escolhido. É como se quisessem entrar em sintonia com a natureza em volta e ligar corpo, mente e natureza num gesto só, num “grito” só.

Já com o homem de nossas cidades grandes o que conseguiriam era ouvir o famoso som do WhatApp, avisando que tem mensagem.

Isso é lamentável, perceber que poucas são as pessoas que se desprendem e se recusam a serem escravizadas por estes aparelhos.

Aí, você pergunta: Você não usa celular? E eu respondo: Sim, é bom ter esse aparelho, às vezes pode nos tirar de situações complicadas, mas não pode ser o determinante de viver. Acredito que foi criado para facilitar a comunicação entre as pessoas, mas não é o que acontece. Está tornando as pessoas mais isoladas, eliminando o diálogo nas famílias, nas rodas de amigos. Quem nunca viu uma mesa de restaurante em que todos estavam sentados, aguardando o garçom trazer o pedido com o celular na mão, teclando. Eu já presenciei e deduzi que nunca mais o mundo foi o mesmo depois do WhatApp.
Flávia Rocha





A observação do profundo


São 10h00min da manhã, não dormir nada bem esta noite, por isso estava sentimento meu corpo, mole e devagar. Na sala de aula percebi que não estava em bom dia. Mas tudo passou quando começou a trilha sonora do filme Baraka, eu senti a mesma paz de quando estou em meio à natureza. Que incrível!
Comecei assim, a observar as lindas e profundas imagens apresentadas. Flutuar foi só uma das muitas sensações.
Teve um momento em que acabei pegando no sono, uma tragédia porque devo ter perdido uns 10 minutos de magia, mas acabei despertando com o barulho da coisa mais perfeita, a das cataratas – queda d’água. A imagem me envolveu me veio uma relação da natureza e o ser humano como se eu estivesse ali, sobrevoando uma imensidão de paz e profundidade presente em mim.
É tão contraditório ver algo que te remete tranquilidade e ouvir turbilhões. É como um intertexto, como se sempre houvesse algo por trás de tudo o que é considerado bom.
Sobre o que eu estava sentindo antes, não me lembro mais. Só sei que quando eu precisar pensar e fluir de forma profunda vou procurar pelo filme e colocar na parte das cataratas. 
Lorena Braga de Siqueira



Anéis de crescimento


            Em umas das aulas da componente Estudos Literários, tive a oportunidade de assistir o documentário Baraka, do diretor Ron Fricke. Esse documentário é o resultado de 11 anos de filmagens de vários lugares do mundo. Umas das cenas que mais me chamou atenção foi a imagem de uma floresta e logo em seguida a imagem de uma das árvores sendo cortada com uma motosserra e caindo lentamente.

Desde que descobri que a idade das árvores podem ser calculada pelos seus anéis de crescimento e que quanto mais largas são as árvores, mais velhas elas são, me pego olhando para elas e tentando adivinhar quantos anos cada uma delas tem e, consequentemente, pensando em tudo que elas já viveram. Ventos, chuvas, brisas, tempestades, concreto nas raízes, as raízes destruindo o concreto com toda sua força, pessoas gravando corações em sua casca... E elas ali, resistindo a tudo, sempre nos dando alimento, flores, sombra e oxigênio, sem pedir nada em troca. Definitivamente, o amor e a sabedoria do mundo estão nas árvores.

As árvores são fáceis de achar, já que ficam plantas no chão; são maiores que as pessoas, mas ocupam menos espaço; assim canta lindamente Arnaldo Antunes na música As árvores, e sempre que a ouço, uma pergunta fica reverberando na minha cabeça: “Quando as pessoas vão realmente enxergar as árvores com seu merecido respeito, gratidão e amor?”

            Me assusta ver imagens de pessoas cortando árvores com suas motosserras barulhentas, sem nenhum tipo de sentimento ou remorso, acho que é porque me dou conta de quanto o ser humano é limitado e sem consciência. Árvore da vida. Árvore dá vida.
Jasciany Nobre





          VULNERABILIDADE HUMANA

Na aula de literatura a professora passou um vídeo contendo várias imagens; com um fundo musical diversificado. Essas imagens me chamaram bastante atenção por vários aspectos ligados á sociedade e sua diversidade cultural.
Pude constatar o quanto somos seres complexos e vulneráveis também. Nas imagens há situações da vida cotidiana da cidade grande, cheia de carro e pessoas atravessando faixas de pedestre de um lado para o outro, pessoas trabalhando nas fábricas em funções repetitivas e aceleradas. Em contraponto imagens de pessoas, buscando refúgio em suas práticas religiosas e crenças com intuito de aliviar o desgaste, o estresse das famosas doenças psicossomáticas. Vimos também imagens de fenômenos da natureza como vulcões, tempestades, ressaca do mar, se formos comparar todos esses fenômenos com o nosso inconsciente/emocional é bem parecido principalmente quando sonhamos e nesse sonho “viajamos” para lugares antes nunca visitados.
Tive um sonho numa dessas noites e nele eu estava indo tomar banho, entrando numa casa velha com janelas quebradas, portas enferrujadas e móveis amassados e sujos, imundos! Quando acordei fiquei refletindo sobre o sonho e tive a sensação de um desejo de estar buscando algo no passado que quisesse reviver, algo bom e alegre. Talvez quisesse retornar á infância onde à única preocupação que eu tinha, era brincar e fazer os deveres da escola. A pressão que sofremos hoje em dia é muito grande! Se não tivermos produzindo mais e mais não somos valorizados e corremos o risco de surtar...
 Enlouquecer de vez, bater com a cabeça na parede... Daí vem á mente a imagem do filme: o homem oriental com olhos vermelhos e pele esbranquiçada agonizando e se tremendo como se fosse enlouquecer em breve...
Nossa casa interior é bem complexa e carregada de significados, somos extensão do mundo e de seus elementos: ar, água, fogo e terra... Movemo-nos sobre o planeta terra prestes a um colapso total.
 Cláudia Helena da Silva





O HOMEM E A NATUREZA


Há um provérbio Maia que fala que os animais, com a pureza do coração, ensinaram as suas melhores habilidades ao homem, para torna-lo feliz. A coruja, por sua vez, imbuída de sua sapiência, preocupou-se profundamente, pois percebeu que o homem ficara sabendo muito,  talvez até demais. Preocupou-se a coruja, com o fato de que o homem sabia tanto e tanto e tanto e....que apesar de saber muito, percebia que ainda não estava feliz, não completamente.
Pobre Dona Coruja! Tão sábia e correta quanto aos seus temores! Esse homem prossegue na eterna busca, dotado  de uma inteligência duvidosa. Não que o que lhe foi ensinado pelos animais tivesse pouco valor, mas de que adianta possuir conhecimentos valiosos e não ser capaz de utilizá-los com sabedoria?
Eis que a natureza presenteia a humanidade, oferecendo-lhe toda a exuberância do que é belo, do que é bom. Ofereceu tudo que gera a vida: a água, a terra e o ar. Tudo que é necessário para fazer o homem feliz e viver com qualidade! Mas o homem, com seu eterno vazio, a agride, invade-lhe o coração e a destrói, numa velocidade inerente ao desrespeito que tem pela própria vida, pela vida do outro. Ao mesmo tempo que a natureza nos oferece o belo e o essencial e nos dá a oportunidade de ouvir os sons do silêncio, o silêncio que os olhos enxergam, o homem segue evoluindo e criando... e destruindo as possibilidades de existência com as guerras, com as atrocidades.
A natureza é forte! Mas é também frágil e na dualidade de força e fragilidade clama a morte dos seus filhos, imposta pelo homem. E nesta guerra em que os humanos se repetem como num formigueiro, em que pessoas comandam a máquina (ou a máquina é que comanda o homem?), a mesma natureza, que é mãe, impõe o castigo através da dor, do medo, da fome,  da busca pela sobrevivência, da miséria do corpo.
Espalhados pelo planeta, somos diferentes e vivemos vidas diferentes. Mas a verdade maior é que, onde quer que estejamos, somos diferentes e somos iguais: homens com inteligência duvidosa!       
Dilce Alves de Castro Modesto    





2 comentários:

  1. Fiquei muito feliz com o resultado final da produção da minha crônica. O vídeo foi inspirador, e tem o poder de trazer sensações de paz e inspiração.
    Gostei bastante da crônica da Flávia e da Jasci!

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  2. Agradecida Lore! Foi bem difícil escolher uma cena para escrever a crônica, porque dá vontade de escrever sobre várias. Muito lindas as crônica de todos, uma mais linda que a outra.

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