quarta-feira, 23 de março de 2016

Desentranhamento Poético João Guimarães Rosa

                          A Terceira Margem do Rio


Só quieto,
Pai mandou fazer para si uma canoa.
Era sério, sem alegria nem cuidado;
Pai suspendeu a resposta.
Entrou na canoa e desamarrou, pelo remar.
Pai não voltou.
Se desertava para outra sina de existir.
Solto solitariamente;
Sem fazer conta do se-ir do viver.
Ninguém mais soube dele.
Sou o que não foi, o que vai ficar calado.


                                                            Poliana Da Silva e Sousa 






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