quinta-feira, 28 de abril de 2016

Memória 14 de Abril de 2016

                           Tertúlia Grande Sertão: Veredas



              É o resumo do meu poema e da fase que estou vivendo. Eu não sou ruim, mas muitos me veem assim e, por querer ajudar, muitos me veem como intrometida. Eu não fico com raiva da pessoa, eu não estou buscando o perdão das pessoas, mas delas mesmas pela imagem que criam de mim. Eu me culpo demais e escuto coisas que não deveria escutar. E eu tenho dentro de mim a bondade e acabo trazendo tudo pra mim. Esse trecho mexeu comigo porque hoje todas as pessoas pregam o amor, mas no fundo sentem ódio. O que é o ódio? Meu filho me perguntou e eu não soube responder por que também tenho ódio. Estou fugindo de dar uma resposta, mas ele quer saber o que eu penso. Quando li essa frase pensei que às vezes precisamos fazer escolhas e muitas das vezes isso define se seremos felizes ou tristes. Tudo passa pelo olhar. O que tinha entendido do que a Nathália escreveu era outra coisa e quando coloquei os óculos é entendi o que era. Depende de que óculos se usa na vida para se ter uma visão de algo. Às vezes a gente precisa tomar uma decisão e não toma. Eu também sou ruim, mas todos somos bons e ruins, estamos no meio. Não sei se sou feia ou bonita, sou os dois.       

Eu tenho medo de fazer algo a alguém e a pessoa achar ruim de eu ajudá-la. Talvez ela não aceite por medo, por achar que é autosuficiente, mas até um cachorro late mostrando para o dono que tem alguém desconhecido no quintal. Me chamou atenção a parte em que o Riobaldo estuprou uma mulher e ele disse que nunca mais ia fazer aquilo. E Diadorin disse que mulher era bicho infeliz e por isso não queria ser mulher. Isso me chamou atenção porque sofri abuso e é uma coisa que sempre me toca muito, uma ferida que a gente aprende a lidar, mas não cura nunca. Sempre vem nas minhas relações e na convivência com os outros. E tem que conviver o resto da vida. Um machucadão, uma desordem que mexe profundamente com o ser. O Riobaldo é esse ser que não tem fronteira entre o bem e o mal, sempre transita entre os dois mundos. E isso me faz lembrar que todo abusador foi abusado, ele se via compelido a fazer o mesmo que seus companheiros. Teve uma visa miserável, a relação de machismo e ausência paterna e teve que ter a experiência de abusador para decidir não fazer mais. Quem foi abusado tem que trabalhar a entrega porque na hora do abuso a pessoa se fecha.  


Ele queria que aquelas mulheres gostassem dele pelo seu ser e não pela força, o que me faz mais uma vez olhar para minha ferida, integrar e reconhecer, por mais difícil que seja, sei que o abusador também está nessa linha tênue entre o bem e o mal, como eu. Preciso perdoar, porque ele também foi abusado e se se eu não perdoá-lo, não me livro dele nunca. Essa parte está muito ligada a um momento que eu venho superando. Houve um momento em que eu precisava de limites e outro em que eu tinha muito limite. Eu percebi e entendo isso de estar contido, é por isso que mesmo quando tudo está ruim ainda se tem a esperança de ficar bom. Quando foi proposta a ideia de ler o livro fiquei receosa de como seria isso. Eu tenho observado, ao decorrer das aulas, e vejo que está sendo humanizador, o conteúdo do livro e também as experiências compartilhadas, porque nós estamos no sertão e nas veredas também. É uma via de mão dupla. Esse trecho me marcou muito porque fala da nossa experiência humana, o bom, o belo, e mexe muito com a nossa essência. Um livro antigo que se lermos com atenção, se tivermos o sentimento de reflexão, ele vai trazer algo para nós e para as gerações futuras. E ser humano, como acontecia antigamente, na época de Diadorim que mesmo com tantas questões, ele também era humano. Quando a amizade de Diadorim e Riobaldo estremeceu um pouco, me fez parar para pensar nas minhas amizades atualmente. Quem são os meus amigos? Amigos são aqueles com quem se pode se abrir e expor sem que a sociedade imponha, mas pela essência da verdadeira amizade, porque não se pode viver sem amigos e isso é importante, é o que basta. 


Resumiu tudo o que eu sinto, o medo de errar me impede de viver verdadeiramente, conhecer novas coisas e fazer coisas que gosto. O medo destrói por dentro, limita por dentro, limita a gente. Preciso destruir essa barreira e isso é difícil. Existem episódios na nossa vida que não valorizamos, como o próprio ato de comer, se vestir, um beijo ou um abraço, e ele aponta experiências corriqueiras, do cotidiano que nos mostram que é preciso ter gratidão, dar valor. Quando se perde é que se dá valor, coisas corriqueiras e expressões também precisam ser valorizados. Eu me identifico com a experiência do Riobaldo, que fizeram com que ele ficasse fechado. Ele fica se julgando sobre o sentimento por Diadorim, por ser jagunço. Mas ele tem vontade de viver. Muitas coisas que eu passei não me permitem uma entrega verdadeira, mas agora quero me permitir e vivenciar. Me deu uma gastura quando Guimarães consegue mostrar uma linha muito tênue entre o animal e o homem, porque eles tem características animalescas naquele grupo. A cena de raspar os dentes com a faca e a volta do homem à sua animalidade. Eu adorei esse trecho pela força da catarse da literatura por me permitir vê-los certinho, lixando os dentes e o Riobaldo dizer não. Riobaldo não está inconsciente fazendo as coisas, ele aparece como a consciência humana: ser atroz é também ser humano. Gostei da sensação... 


O Riobaldo fala da dificuldade de ser verdadeiro quando algo já passou. Ele traz duas questões aí, um intertexto com Proust, onde ele relata que vai ter ciúme e amor 20 anos depois, revisitando afetos que não foram vividos naquele momento. William Blake fala que imaginação e vida é a mesma coisa porque o imaginado vem da experiência. O que vou lembrar pode vir carregado de vida porque é meu, foi vivido. Sobre contar o acontecido: às vezes as coisas demoram em gente entender. Uma reflexão sobre a memória humana. Proust descobriu que o olfato é o sentido que está mais ligado à memória, às lembranças. A literatura, assim como as artes, nos falam coisas sobre nós que ainda não foram racionalizadas por nós, nem explicadas, inclusive cientificamente. Riobaldo reclama dessa dificuldade de narrar, ele se questiona sobre o porquê dele pular uma parte do que estava contando, questionando o porquê não contamos tudo. Quando a gente se lembra só do que é ruim, fica igual ao cavalo que não via coisas boas; o ser humano quando lembra da vida fica mais ligado nas coisas ruins do que nas boas. Quando viveu a coisa não sentiu, mas quando recordou ele sentiu, é a síntese do pensamento do Proust, a memória é a reconstituição de uma segunda vida nossa, a possibilidade de se reconhecer numa coisa que não viveu, refazendo sua vida num outro sentido. Grande Sertão é um intertexto profundo com “Em Busca do Tempo Perdido” de Proust.









Memória 31 de Março de 2016

                  Tertúlia Grande Sertão Veredas 


O que acabou de acontecer com o Ramon ama e odeia. A gente tem livre arbítrio para fazer. Tem que escolher e pode ficar sozinho no sertão. É uma questão de discernimento. É o terceiro olho. É como ele disse: fazer ou não fazer é uma questão de escolha.
Mostra a dualidade no caso da teoria. Mostra a bondade e a maldade dos pais que bate nos filhos. Na ansiedade de fazer tudo certo eu me embanano.
Eu gostei da mandioca brava. Como pode algo parecer perfeito e fazer mal. Pesquisei: tem a mandioca mansa e a brava. Ela parece normal, temos que ter olhar para saber o que é bom e que não é.

Mostra esta dualidade. A gente não é bom ou ruim, é os dois. Sobre a Valnice, ela fala sobre proezas cavalheirescas, ao mesmo tempo pode defender e matar.
Eu me identifiquei: eu decidi um caminho, mas porque posso mudar.
Me acalma quando eu oro. As vezes no dia a gente se sente bem. Eu oro e isso me aquieta.
Só nesta história ele fala disso e trás a gente para cá. O que a gente mais evita é o que está escondido dentro da gente.
Sou muito autentica, mas os outros me taxam de diferente, porque falo o que penso.
Fazendo um paralelo com o texto da Valnice de, a realidade, ser você acredita uma coisa como vai negar a parte má. Como você sabe se está fazendo o bem se não sabe o que é o mal. Tem que acreditar o mal para fazer o bem.
Eu me vi no texto. Eu tenho muita dificuldade de acreditar num elogio, mas acredito nas criticas. Eu sou muito desconfiada. É medo de se machucar. Mas geralmente eu não estou equivocada.
Me identifiquei com o quase. Em relação a deus, a pessoa quase acredita, por um efeito social. Não ou sim ela fala quase.
O mundo vai acabar e a gente não vai saber. Se a gente reencarna ou não, é uma questão universal, o que movimenta a gente é a alma. Há coisas medonhas demais, as vezes é uma dor que não é nem física, mas você não sabe o que dói.

A Valnice fala da universalidade, o G. R fala da transcendência. O livro faz uma sondagem interior, seja como for, ele fala em romance universalizante, mesmo na roupagem sertaneja a leitura interior entre céu e inferno e ai fica aquela coisas imaginária. A gente tem momentos de crise. Você não sabe que esta certo, as pessoas criticam. Você vive ... porque tem medo da língua do povo. Os seus desejos fica escondidos as vezes deixa de ser feliz com medo. É um sofrimento. É a nossa realidade. A única coisa que faz efeito é o que sai. Durante toda a minha vida sempre pensei por mim, pensei diferente, agi diferente, me senti deslocado, por não me encaixar nos trilhos. Não saber realmente é bem ou mal. Não sei se o que sinto é bom ou mal. Tenho dificuldade de diferenciar um do outro.

A minha é sobre o ócio, criação e poesia. Eu adorei essa parte porque liguei o ócio à criação e a criação devolve nossa humanidade poética, sem tempo para pensar nas coisas ficamos automatizados, longe da nossa verdade. É bem profunda, a cachoeira depende do barranco e da água. Se interferirmos acabamos com o que é pré-determinado. Acabei de ler um livro “ócio criativo”, fala de um conceito que gosto muito e gostaria de vivê-lo, trabalhar sem sentir que trabalho, trabalhar de modo criativo. Fazer de modo verdadeiro, sem esses modelos de velhas regras. Sair do padrão para ir a um lugar onde você cria com prazer.

Desentramento Poético Grande Sertão: Veredas

                                                                  JAGUNÇO


Nonada
Tiros que o senhor ouviu
O diabo vige dentro do homem
Tem até tortas raças de pedras, horrorosas, venenosas.
O voo já está pronto
O senhor rela faca em faca
Negócio particular dele
O mais importante e bonito, do mundo é isto.

                                            Juliana Reis



Diadorim (em primeiro plano) e o jagunço Riobaldo na graphic novel. Grande Sertão: Veredas’ - Guimarães rosa, Rodrigo Rosa e Eloar Guazzelli (Ed. Globo, 180 págs.; R$ 200)



Desentranhamento Poético Grande Sertão: Veredas

Querer minha opinião?


Cumpanha minha opinião
A raiva incerta, no honrado e no final.
O amor? Pássaro que põe ovos de ferro
Não dava transparecer o que cismava profundo
Dele eu queria saber?
Só se queria e não queria
Voltei para os frios da razão

Ramon de Souza

Desentranhamento Poético João Guimarães Rosa

O Sertanejo

Um coração no quarto esquerdo dianteiro
É bem capaz de uma brutalidade
Sem aviso prévio
Hô-hô...
Devagar eu uso
Devagar eu pago...
Todo o mundo aqui
Vale o feijão que come
Vai cair chuva fina
Mas as enchentes ainda vão ser bravas
Os outros se põe em duas almas
Divergentes
Pouco a pouco, porém.
Os rostos se desempanam
E os homens
Tomam gesto de repouso
Nas selas, satisfeitos.
E ao fim de um tempo
O cavaleiro acordou
Brandou nomes feios
E começou a cantar
Um ferra-fogo




Juliana Reis 

Desentramento Poético Grande Sertão Veredas

              Ser Tão Só

É coisa que treme
Digo: bons e maus
Uns pelos outros
Como neste mundo se pertence 


Você é um homem pelo homem
Sozinho, sou, sendo
De sozinho careço
Sempre nas estruturas horas
Isso procuro
O que é que vale
E o que é que não vale?
Tudo. 


Nathália Alves 

Desentranhamento Poético Grande Sertão: Veredas

EU SOU O SERTÃO

Mire veja:
Eu sou eu mesmo.
Eu sou diferente.
Quem muito se evita, se convive.
As pessoas não estão sempre iguais,
Afinam ou desafinam.
Eu quase que nada sei,
Mas desconfio do mundo;
Porque: passarinho que se debruça
- voo já está pronto.
Viver é muito perigoso.




Poliana Silva e Sousa 

Desentramento Poético Grande Sertão: Veredas

                               Bicho Mal

Depois de longos meses
O sol aquecia
E sua nova pele cigana
Não reluzia
Poderia ficar mais tempo
Despercebida
Que vivia afundadamente
Separadamente necessitada
Apenas a querer
Viver
A custa do que fosse
De qualquer outra vida
Fora da sua


Laurenice Nascimento

Desentranhamento Poético Grande Sertão: Veredas

                                       A como?

Dor do corpo
Tão forte
Dor da ideia
Como todo amor
Fim de fim
Há coisas medonhas demais

                     Nathália Alves

Desentranhamento Poético Grande Sertão: Veredas

Sou



                                                               Eu sou.
                                                               Divêrjo de todo mundo.
                                                 Não sei.
                                                   Desconfio de muita coisa

                                                                Ramon de Souza


Desentranhamento Poético Grande Sertão: Veredas

                                                       Segredo de pedra
                                                         o ódio é paciente
                                                       com o rosário é que
                                                         o amor mata
                                                       ninguém é de pedra

                                                                            Audrey Kajiwara

Desentranhamento Poético Grande Sertão: Veredas

            Testemunharam as diversas pessoas sensatas:
            Nosso pai mandou fazer para si uma canoa
            Nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente
            Nosso pai não voltou
            Ele tinha ido a nenhuma parte
            Só executava a invenção de se permanecer
            Naqueles espaços do rio,
            Sempre dentro da canoa
            A gente teve de se acostumar com aquilo
            A gente imaginava nele, quando se comia.
            Uma comida mais gostosa.
  Nem queria saber de nós
  Os tempos mudaram, no devagar depressa dos tempos.
  Ele me escutou. Ficou de pé, proava pra cá.
  Corri, fugi me tirei de lá.
  Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida,
  Nos rasos do mundo.
                                      Ramon de Souza 

Poemas - 1° Semestre de 2016 - Introdução aos Estudos Literários - "Projeto Flaneur: a poesia da rua em mim"

Alexia Reis

o tempo passa...
depressa ou devagarzinho
depressa como as pessoas dentro
de um automóvel, tentando chegar
um lugar em que se sinta bem,
ou simplesmente, só chegar.
Devagarzinho como quando o semáforo está fechado.
Para quem tem pressa aquele minuto parece uma eternidade.
Buzinas, barulho, bem-estar, beleza
O tempo passa, e de olhos para a vida permaneço.
Vento, sol, nuvens, pensamentos e olhares perdidos
Viver ou simplesmente sobreviver?

Ana Júlia

Queria escrever o desconhecido
Queria escrever sobre a aceleração dos carros,
Sobre o balanço das folhas
E o canto das árvores ao entrar em contato com o vento
Mas o veneno corre pelas veias
E o roxo já não dói.
O cinza dói
E o transparente machuca.

Antonia Odete

O que mais me impressiona

O vai e vem do dia a dia
Parei para observar as formigas
Achei muito interessante e comecei
a perguntar a mim mesma o que elas
tanto faziam prá lá e prá cá
No vai e vem constante a procura
de algo que eu não sei o quê!
Assim me deparo diante da vida
também num vai e vem, em busca

de algo que também não sei o quê!

Bárbara Rodrigues
                            
O vento passando por entre os cabelos,
por entre os dedos
O sol aquecendo a pele,
E fazendo aclarar ideias meio confusas
Neste ambiente em constante movimento,
Constante barulho,
Mas que ao fechar os olhos
Em meio a tanto ruído
Consigo escutar o pio de um pássaro
que parece tão real, mas ao mesmo tempo
Não sei se realmente ouço

Respirar fundo, bem fundo
Ao abrir os olhos, vejo os enfeites
de uma loja de carro
Enfeites tão leves, que basta o
mais faço sopro do vento
para eles se remexerem
Tão coloridos, que ficam mais reluzentes ainda
Ao toque do Sol
Prata, azul, amarelo, vermelho
Cores vivas e alegres
Que parecem dançar ao ritmo da música
Que ao fundo toca
Enfeites estes que remetem às festas
Passadas e as que ainda estão por vir
Essa mistura de paisagens, natural e urbana
Alegram meus olhos
Esse céu azul
Me traz a calmaria em meio
A este ambiente totalmente conturbado por tantos barulhos.
E o cheiro do ar puro
É tão bom,
Que é como se quase fosse possível
Sentir seu gosto.

Darielton Alves

No silêncio; a agitação
No natural; o concretal
No verde; o cinza
No simples, o complexo
Na folha seca, a escrita
Na calmaria, a zombaria
No sentar-se, o plantar-se

Elisabeth Maria

Hoje estive em companhia das árvores e do sol, também com meus companheiros.
Me senti tão bem, fiquei calma e tranquila, não vi a hora passar.

Estive também só comigo mesma e foi muito lindo.

Fábio Alves

76km era a distância percorrida
O que adianta a ida?
Me importa somente a volta
O marco zero
Deve ser a trajetória

Fabrício Pereira

Há uma Ponta
Uma Ponta de Esperança


Minha vó nem quem é, mas sei que existiu.
Minha mãe chegou primeiro.
Frio, calor e vento resistiu.

Minhas irmãs já foram embora, num voo sem
rumo sem volta.
Outras estão nascendo e logo também vou embora.

Da ponta dos braços de minha mãe, vejo tudo
Vejo a pressa e a freada brusca por causa dela.
Vejo os amantes e suas promessas de amor
Prometem com tanta força que falam isso até
Pra mãe.

Mamãe é forte e nos fez nascer fortes.
Minhas irmãs e eu suportamos tudo, apesar
de tudo. Do sol, da fumaça e da chuva forte.

“Eu vejo tudo e ninguém me vê”.
Somos ponta. Ponta de esperança da vida
Somos de ponta. Ponta de árvores.

Gabriel Abreu

tempo

os carros vêm como ondas
ao abrir o sinal, todos correm
é uma disputa para ver
quem chega primeiro

o tempo corre, os carros também
carros nós temos
tempo não.
Tempo não se compra

pra que tanta pressa
pra chegar ao próximo sinal?
por mais rápido que ande
estamos todos parados

parados no tempo!

Helena Costa

Teu suor são palavras que o sol arranca
O cansaço te entrega
Mas você não parece se importar.

A terra te chama, Marte te cutuca
Sai fora, racismo!
Tá errado, volta.

Em meio a tanta agitação,
a rotina te doma,
te suga, e te faz mal.

Quem dita o que é certo
ou errado?
Só faça desse céu
seu mundo inteiro.

Jemima

Lá vem ela, no meio da pressa, porém parece não se apressar.
No meio das cores e sons porém, a luz atravessa seu corpo pequeno e, sem perceber, ela parece não se torna de repente em outra cor ainda mais linda.
O sinal para, porém ela parece não se importa.
Lá vem ela, uma linda quase borboleta que imperceptível, porém feliz.

Jhonny Teles


A grama é verde
O verde é a grama
As árvores são matéria-prima
Do lápis que escreve
da folha que é riscada
A vida que transcende a palavra
da essência da alma humana
Que tem início e final
Mas, será que tudo isso é real?cv 

Josivaldo Pereira Mota

O céu da língua

Toda a língua tem um céu em cima
E hoje acordei com o gosto do céu
da sua 
Contei estrelas, fiz figuras em nuvens
orbitei teus pensamentos indecentes
Fui anjo deglutido por fim
Exaurido dentro de ti

Juciara Almeida

O brilho do sol era tão intenso que batia
no corpo junto com o vento
O sol ardia feito chama
O vento soprando os cabelos era tão intenso era como
não tivesse nada mais
A música passando e os ouvidos aos calantos
tudo era tão suave, que não vinha mais nada
na mente
A beleza, o calor, o vento, a temperatura, o clima
não existe coisa mais neste vida do que o que 
Deus preparou, o o universo não enxerga a beleza
que é este resplendor
A vida passando, o passado ficando, as lembranças
no interior que vai chegando
é como se tivesse da beira de um rio sentado
em cima da pedra vendo as águas correndo rio 
abaixo, só resta uma coisa para pensar que
tão belo é o viver.

Kamilla Costa
                           
Formigas

não consegui perceber 
nada de insignificante 
talvez as formiguinhas que andavam 
no chão
As quais eu comparei com a formigação
que eu sentia no momento, porque
estava muito confuso os barulhos
que caminhavam pelo meu pensamento

Keyla de Carvalho

Ensaio I

Céu, sol, lua, todos juntos as dez da manhã.
Buzinas, motores, vozes, quem fala mais alto?
Grama macia. Copas de árvores. Sombra da própria mão.
No papel, tentativas de impressão.
Na pele, o ardor do calor onde o sol faz estampas.
Som? Qual é o som que toca? Que me toca?
O beijo roubado. Um abraço apertado.
Quanta pressa! Quantos carros!
Num movimento fluido tantos carros, abraços e o
movimento dos astros passarão.
Respiração lenta, olhares rápidos. Sorrisos fortuitos.
Se tinham ciscos não vi. Dei-me conta de uma
pequenina formiga que solitária caminhava por
esta folha.
Pequenos arrepios. Pele ardendo. Olhos ofuscados com
a claridade que ilumina além do papel, a alma.

Maria do Socorro

O silêncio e o concreto

Duas torres suspensas
recebem um mar de paredes
sem vida, sem sentido, lojas
portas janelas, ferros e
armaduras
Vidros brilhando com
o sol, que aquece a frieza das
estruturas apáticas e silenciosas
No alto pontinhos retorcidos
e com formas diversas; antenas,
párarraios e uma janelinha
pequena e solitária.
Que escuta os sons dos carros
a passar; do vento e a música que
toca longe misturada com os burburinhos
das vozes humanas,
gritos de seres que passam rápido
e somem na imensidão do
mundo paralelo e vazio
Passarinhos ecoam seu canto
No meio de toda essa confusão,
amenizando o caos que se forma
de idas e vindas; pessoas, carros,
bichos e natureza viva e morta.
O azul do céu faz contraste com
o azul da natureza morta, tom
sobre tom, mesclado com pontinhos
brancos e diversos, que diferem
do sentido real das coisas apresentadas.

Margareth M. França

Outono dia de Sol

Árvores que são vidas, dão sombra
e vida. São harmonia em meio ao asfalto
e o vento suas folhas balançam

Os cursos, que passam - pessoas com horário
que vão e vem correm para cá e para lá
as obrigações do cotidiano vão e passam
e as vezes nem se percebem e nem se vem:
passam as horas: o tempo
Algumas não percebem existe
toda uma harmonia da natureza
reservada pra você.
A terra - o céu - os pássaros, a chuva, Sol,
o rio, toda natureza, a ser contemplada
o ciclo da natureza

Messias Gomes P. Martins

A lógica me atrapalha
quando o que importa no presente
é o simples, que por sua singeleza
torna-se belo.
A simplicidade das formigas que ao
cortar e carregar folhas exprimem
o mais rico sentido
apesar de que pequeno tamanho...
E assim me vou lutando
entre a lógica e o que realmente
é o essencial.

Patrícia Nascimento Martins

A Água

A água brilha no asfalto
Em busca do olhar mais atento
Queremos diminuir a velocidade
Do tempo

Molha a pista
Obriga os motoristas
Foge da grama verde
Orgulho, obra do vento

Se perguntarem por sua utilidade
Ela não poderá responder
Só busca eternidade
Até o anoitecer.

E a grama chora sua ausência
tão perto, tão longe
A água responde
Não quero morrer.

Patrícia Nascimento Martins

O Farol

O sinal está vermelho
É hora de parar
É hora de refletir
Para depois avançar

O farol pede passagem
Para outro veículo dançar
E no meio dessas roupagem
com a confusão acabar.

Ilumina a decisão dos homens
Acende a retidão dos pedestres
Não pretende ser mais do que é
Apenas um farol a dançar

Iluminar a pressa dos aflitos
Avermelhar a ansiedade no ar
Esverdear a luz de passagem
É bailar

Farol, luz do dia e da noite
Sol escondido na luz
Teu guia pede e dá passagem
Para a vida ajustar

E ainda assim, é só um farol.

Rafael Sena Raposo

SERmaforo

Não quero mais
de forma alguma ser
um semáforo

Sim só tenho três funções
dou meu sangue pra parar
o que não posso parar nunca
seu tempo.

Ou ainda tenho a obrigação
de dizer, sem poder,
á, siga em frente
Quando a decisão é só sua sobre si.

Chego ao ponto de estar tão só
contente, e melancólico
que clamo por atenção...e até pisco.
Mas ainda assim, sou ignorado.

Ahh, isso não é pra mim.

Raquel F. da Silva

Um lugar tão movimentado, e ao
mesmo tempo tão vazio, e me
parece sem comunicação.

O lixo que é jogado ao chão
sem qualquer percepção, é ignorado
por quem ali passa pois
é apenas "o lixo".

As árvores adormecidas, com tantos
ruídos ao seu redor
As rodas rodando em um
sentido só, todos querendo chegar
e derrepente uma luz vermelha
ascende e todos tem que
parar

O movimento dos folhas caídas
sendo carregadas pelo e nos leva
a pensar e se amanhã ele não
voltar quem as carregará?

E ali permanecem caídas esperando
ele voltar, pois secas agora
sozinhos não podem balançar

Renan Mendonça Romeiro

A natureza nos implica
de um mundo organizado se isolar
os sons das ruas replica
que a essa natureza preciso encontrar.

Não se escuta o canto dos pássaros
onde se habita concreto e imensidão
tampouco o homem acredita
A natureza ser uma canção

Poderia eu
conhecer tamanha riqueza
tão nobre seria
se realmente, amasse essa natureza

O quão adorável
essa natureza seria
se todos enxergassem
que a natureza é a poesia

Renata Daniela Alves de Azevedo

I

O brilho das bandeirinhas
cintilava pelo sol
A música agitada
O vento trazia
que pena que não era festa;
era apenas enfeite pra venda.
O vendedor permanece só.

II

hoje constatei o quanto o silêncio incomoda.
Sentados, no silêncio, não devíamos incomodar ninguém.
Um rapaz gritou, do carro dele, querendo nos humilhar.
ou talvez curioso sobre o que fazemos.
Mal sabe ele, que no silêncio estamos imersos nos nossos só nossos pensamentos.

Sarah Dyanne dos Santos

Em meio a insensatez de ser sensato
me vejo em meio a avenida, cercada pela louca correria
De um mundo que não para,
e derrepente para! a luz vermelha dita as regras!
Me deparo com um mundo verde, amarelo e vermelho.
O mundo para e as observa atentamente.
A luz do Sol perdeu o seu brilho.
Quando derrepente, sinto a pele arder.
E dou por mim que os raios do Sol me invadem
Sou despertada pelo astro que brilha
E nesse instante me faltam as palavras
Fui tomada pelo êxtase.

Seguidores