quinta-feira, 28 de abril de 2016

Desentranhamento Poético Grande Sertão: Veredas

            Testemunharam as diversas pessoas sensatas:
            Nosso pai mandou fazer para si uma canoa
            Nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente
            Nosso pai não voltou
            Ele tinha ido a nenhuma parte
            Só executava a invenção de se permanecer
            Naqueles espaços do rio,
            Sempre dentro da canoa
            A gente teve de se acostumar com aquilo
            A gente imaginava nele, quando se comia.
            Uma comida mais gostosa.
  Nem queria saber de nós
  Os tempos mudaram, no devagar depressa dos tempos.
  Ele me escutou. Ficou de pé, proava pra cá.
  Corri, fugi me tirei de lá.
  Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida,
  Nos rasos do mundo.
                                      Ramon de Souza 

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