quinta-feira, 28 de abril de 2016

Poemas - 1° Semestre de 2016 - Introdução aos Estudos Literários - "Projeto Flaneur: a poesia da rua em mim"

Alexia Reis

o tempo passa...
depressa ou devagarzinho
depressa como as pessoas dentro
de um automóvel, tentando chegar
um lugar em que se sinta bem,
ou simplesmente, só chegar.
Devagarzinho como quando o semáforo está fechado.
Para quem tem pressa aquele minuto parece uma eternidade.
Buzinas, barulho, bem-estar, beleza
O tempo passa, e de olhos para a vida permaneço.
Vento, sol, nuvens, pensamentos e olhares perdidos
Viver ou simplesmente sobreviver?

Ana Júlia

Queria escrever o desconhecido
Queria escrever sobre a aceleração dos carros,
Sobre o balanço das folhas
E o canto das árvores ao entrar em contato com o vento
Mas o veneno corre pelas veias
E o roxo já não dói.
O cinza dói
E o transparente machuca.

Antonia Odete

O que mais me impressiona

O vai e vem do dia a dia
Parei para observar as formigas
Achei muito interessante e comecei
a perguntar a mim mesma o que elas
tanto faziam prá lá e prá cá
No vai e vem constante a procura
de algo que eu não sei o quê!
Assim me deparo diante da vida
também num vai e vem, em busca

de algo que também não sei o quê!

Bárbara Rodrigues
                            
O vento passando por entre os cabelos,
por entre os dedos
O sol aquecendo a pele,
E fazendo aclarar ideias meio confusas
Neste ambiente em constante movimento,
Constante barulho,
Mas que ao fechar os olhos
Em meio a tanto ruído
Consigo escutar o pio de um pássaro
que parece tão real, mas ao mesmo tempo
Não sei se realmente ouço

Respirar fundo, bem fundo
Ao abrir os olhos, vejo os enfeites
de uma loja de carro
Enfeites tão leves, que basta o
mais faço sopro do vento
para eles se remexerem
Tão coloridos, que ficam mais reluzentes ainda
Ao toque do Sol
Prata, azul, amarelo, vermelho
Cores vivas e alegres
Que parecem dançar ao ritmo da música
Que ao fundo toca
Enfeites estes que remetem às festas
Passadas e as que ainda estão por vir
Essa mistura de paisagens, natural e urbana
Alegram meus olhos
Esse céu azul
Me traz a calmaria em meio
A este ambiente totalmente conturbado por tantos barulhos.
E o cheiro do ar puro
É tão bom,
Que é como se quase fosse possível
Sentir seu gosto.

Darielton Alves

No silêncio; a agitação
No natural; o concretal
No verde; o cinza
No simples, o complexo
Na folha seca, a escrita
Na calmaria, a zombaria
No sentar-se, o plantar-se

Elisabeth Maria

Hoje estive em companhia das árvores e do sol, também com meus companheiros.
Me senti tão bem, fiquei calma e tranquila, não vi a hora passar.

Estive também só comigo mesma e foi muito lindo.

Fábio Alves

76km era a distância percorrida
O que adianta a ida?
Me importa somente a volta
O marco zero
Deve ser a trajetória

Fabrício Pereira

Há uma Ponta
Uma Ponta de Esperança


Minha vó nem quem é, mas sei que existiu.
Minha mãe chegou primeiro.
Frio, calor e vento resistiu.

Minhas irmãs já foram embora, num voo sem
rumo sem volta.
Outras estão nascendo e logo também vou embora.

Da ponta dos braços de minha mãe, vejo tudo
Vejo a pressa e a freada brusca por causa dela.
Vejo os amantes e suas promessas de amor
Prometem com tanta força que falam isso até
Pra mãe.

Mamãe é forte e nos fez nascer fortes.
Minhas irmãs e eu suportamos tudo, apesar
de tudo. Do sol, da fumaça e da chuva forte.

“Eu vejo tudo e ninguém me vê”.
Somos ponta. Ponta de esperança da vida
Somos de ponta. Ponta de árvores.

Gabriel Abreu

tempo

os carros vêm como ondas
ao abrir o sinal, todos correm
é uma disputa para ver
quem chega primeiro

o tempo corre, os carros também
carros nós temos
tempo não.
Tempo não se compra

pra que tanta pressa
pra chegar ao próximo sinal?
por mais rápido que ande
estamos todos parados

parados no tempo!

Helena Costa

Teu suor são palavras que o sol arranca
O cansaço te entrega
Mas você não parece se importar.

A terra te chama, Marte te cutuca
Sai fora, racismo!
Tá errado, volta.

Em meio a tanta agitação,
a rotina te doma,
te suga, e te faz mal.

Quem dita o que é certo
ou errado?
Só faça desse céu
seu mundo inteiro.

Jemima

Lá vem ela, no meio da pressa, porém parece não se apressar.
No meio das cores e sons porém, a luz atravessa seu corpo pequeno e, sem perceber, ela parece não se torna de repente em outra cor ainda mais linda.
O sinal para, porém ela parece não se importa.
Lá vem ela, uma linda quase borboleta que imperceptível, porém feliz.

Jhonny Teles


A grama é verde
O verde é a grama
As árvores são matéria-prima
Do lápis que escreve
da folha que é riscada
A vida que transcende a palavra
da essência da alma humana
Que tem início e final
Mas, será que tudo isso é real?cv 

Josivaldo Pereira Mota

O céu da língua

Toda a língua tem um céu em cima
E hoje acordei com o gosto do céu
da sua 
Contei estrelas, fiz figuras em nuvens
orbitei teus pensamentos indecentes
Fui anjo deglutido por fim
Exaurido dentro de ti

Juciara Almeida

O brilho do sol era tão intenso que batia
no corpo junto com o vento
O sol ardia feito chama
O vento soprando os cabelos era tão intenso era como
não tivesse nada mais
A música passando e os ouvidos aos calantos
tudo era tão suave, que não vinha mais nada
na mente
A beleza, o calor, o vento, a temperatura, o clima
não existe coisa mais neste vida do que o que 
Deus preparou, o o universo não enxerga a beleza
que é este resplendor
A vida passando, o passado ficando, as lembranças
no interior que vai chegando
é como se tivesse da beira de um rio sentado
em cima da pedra vendo as águas correndo rio 
abaixo, só resta uma coisa para pensar que
tão belo é o viver.

Kamilla Costa
                           
Formigas

não consegui perceber 
nada de insignificante 
talvez as formiguinhas que andavam 
no chão
As quais eu comparei com a formigação
que eu sentia no momento, porque
estava muito confuso os barulhos
que caminhavam pelo meu pensamento

Keyla de Carvalho

Ensaio I

Céu, sol, lua, todos juntos as dez da manhã.
Buzinas, motores, vozes, quem fala mais alto?
Grama macia. Copas de árvores. Sombra da própria mão.
No papel, tentativas de impressão.
Na pele, o ardor do calor onde o sol faz estampas.
Som? Qual é o som que toca? Que me toca?
O beijo roubado. Um abraço apertado.
Quanta pressa! Quantos carros!
Num movimento fluido tantos carros, abraços e o
movimento dos astros passarão.
Respiração lenta, olhares rápidos. Sorrisos fortuitos.
Se tinham ciscos não vi. Dei-me conta de uma
pequenina formiga que solitária caminhava por
esta folha.
Pequenos arrepios. Pele ardendo. Olhos ofuscados com
a claridade que ilumina além do papel, a alma.

Maria do Socorro

O silêncio e o concreto

Duas torres suspensas
recebem um mar de paredes
sem vida, sem sentido, lojas
portas janelas, ferros e
armaduras
Vidros brilhando com
o sol, que aquece a frieza das
estruturas apáticas e silenciosas
No alto pontinhos retorcidos
e com formas diversas; antenas,
párarraios e uma janelinha
pequena e solitária.
Que escuta os sons dos carros
a passar; do vento e a música que
toca longe misturada com os burburinhos
das vozes humanas,
gritos de seres que passam rápido
e somem na imensidão do
mundo paralelo e vazio
Passarinhos ecoam seu canto
No meio de toda essa confusão,
amenizando o caos que se forma
de idas e vindas; pessoas, carros,
bichos e natureza viva e morta.
O azul do céu faz contraste com
o azul da natureza morta, tom
sobre tom, mesclado com pontinhos
brancos e diversos, que diferem
do sentido real das coisas apresentadas.

Margareth M. França

Outono dia de Sol

Árvores que são vidas, dão sombra
e vida. São harmonia em meio ao asfalto
e o vento suas folhas balançam

Os cursos, que passam - pessoas com horário
que vão e vem correm para cá e para lá
as obrigações do cotidiano vão e passam
e as vezes nem se percebem e nem se vem:
passam as horas: o tempo
Algumas não percebem existe
toda uma harmonia da natureza
reservada pra você.
A terra - o céu - os pássaros, a chuva, Sol,
o rio, toda natureza, a ser contemplada
o ciclo da natureza

Messias Gomes P. Martins

A lógica me atrapalha
quando o que importa no presente
é o simples, que por sua singeleza
torna-se belo.
A simplicidade das formigas que ao
cortar e carregar folhas exprimem
o mais rico sentido
apesar de que pequeno tamanho...
E assim me vou lutando
entre a lógica e o que realmente
é o essencial.

Patrícia Nascimento Martins

A Água

A água brilha no asfalto
Em busca do olhar mais atento
Queremos diminuir a velocidade
Do tempo

Molha a pista
Obriga os motoristas
Foge da grama verde
Orgulho, obra do vento

Se perguntarem por sua utilidade
Ela não poderá responder
Só busca eternidade
Até o anoitecer.

E a grama chora sua ausência
tão perto, tão longe
A água responde
Não quero morrer.

Patrícia Nascimento Martins

O Farol

O sinal está vermelho
É hora de parar
É hora de refletir
Para depois avançar

O farol pede passagem
Para outro veículo dançar
E no meio dessas roupagem
com a confusão acabar.

Ilumina a decisão dos homens
Acende a retidão dos pedestres
Não pretende ser mais do que é
Apenas um farol a dançar

Iluminar a pressa dos aflitos
Avermelhar a ansiedade no ar
Esverdear a luz de passagem
É bailar

Farol, luz do dia e da noite
Sol escondido na luz
Teu guia pede e dá passagem
Para a vida ajustar

E ainda assim, é só um farol.

Rafael Sena Raposo

SERmaforo

Não quero mais
de forma alguma ser
um semáforo

Sim só tenho três funções
dou meu sangue pra parar
o que não posso parar nunca
seu tempo.

Ou ainda tenho a obrigação
de dizer, sem poder,
á, siga em frente
Quando a decisão é só sua sobre si.

Chego ao ponto de estar tão só
contente, e melancólico
que clamo por atenção...e até pisco.
Mas ainda assim, sou ignorado.

Ahh, isso não é pra mim.

Raquel F. da Silva

Um lugar tão movimentado, e ao
mesmo tempo tão vazio, e me
parece sem comunicação.

O lixo que é jogado ao chão
sem qualquer percepção, é ignorado
por quem ali passa pois
é apenas "o lixo".

As árvores adormecidas, com tantos
ruídos ao seu redor
As rodas rodando em um
sentido só, todos querendo chegar
e derrepente uma luz vermelha
ascende e todos tem que
parar

O movimento dos folhas caídas
sendo carregadas pelo e nos leva
a pensar e se amanhã ele não
voltar quem as carregará?

E ali permanecem caídas esperando
ele voltar, pois secas agora
sozinhos não podem balançar

Renan Mendonça Romeiro

A natureza nos implica
de um mundo organizado se isolar
os sons das ruas replica
que a essa natureza preciso encontrar.

Não se escuta o canto dos pássaros
onde se habita concreto e imensidão
tampouco o homem acredita
A natureza ser uma canção

Poderia eu
conhecer tamanha riqueza
tão nobre seria
se realmente, amasse essa natureza

O quão adorável
essa natureza seria
se todos enxergassem
que a natureza é a poesia

Renata Daniela Alves de Azevedo

I

O brilho das bandeirinhas
cintilava pelo sol
A música agitada
O vento trazia
que pena que não era festa;
era apenas enfeite pra venda.
O vendedor permanece só.

II

hoje constatei o quanto o silêncio incomoda.
Sentados, no silêncio, não devíamos incomodar ninguém.
Um rapaz gritou, do carro dele, querendo nos humilhar.
ou talvez curioso sobre o que fazemos.
Mal sabe ele, que no silêncio estamos imersos nos nossos só nossos pensamentos.

Sarah Dyanne dos Santos

Em meio a insensatez de ser sensato
me vejo em meio a avenida, cercada pela louca correria
De um mundo que não para,
e derrepente para! a luz vermelha dita as regras!
Me deparo com um mundo verde, amarelo e vermelho.
O mundo para e as observa atentamente.
A luz do Sol perdeu o seu brilho.
Quando derrepente, sinto a pele arder.
E dou por mim que os raios do Sol me invadem
Sou despertada pelo astro que brilha
E nesse instante me faltam as palavras
Fui tomada pelo êxtase.

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