quinta-feira, 28 de abril de 2016

Desentranhamento Poético João Guimarães Rosa

O Sertanejo

Um coração no quarto esquerdo dianteiro
É bem capaz de uma brutalidade
Sem aviso prévio
Hô-hô...
Devagar eu uso
Devagar eu pago...
Todo o mundo aqui
Vale o feijão que come
Vai cair chuva fina
Mas as enchentes ainda vão ser bravas
Os outros se põe em duas almas
Divergentes
Pouco a pouco, porém.
Os rostos se desempanam
E os homens
Tomam gesto de repouso
Nas selas, satisfeitos.
E ao fim de um tempo
O cavaleiro acordou
Brandou nomes feios
E começou a cantar
Um ferra-fogo




Juliana Reis 

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